segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Mundo Web: Jornalismo digital prospera apesar da incerteza econômica global




Aumentam os investimentos em vídeos, aplicativos móveis e infográficos como principais razões para o crescimento de audiências na mídia digital no mundo todo. No Brasil, só o uso de vídeos subiu de cerca de 20% em 2011 para a média de 43,5% em 2012. 
 
Empresas de mídia ao redor do mundo estão disponibilizando uma ampla gama de ativos de conteúdo digital e utilizando fontes também digitais em suas reportagens mais fortemente em 2012 do que nos últimos cinco anos. Esta é uma das principais conclusões do Estudo Global de Jornalismo Digital da Oriella PR Network.

O estudo é realizado com jornalistas de todo o mundo desde 2008 e visa acompanhar a adoção de tecnologias sociais e digitais pela mídia. Esta quinta versão teve por base entrevistas cerca de 600 jornalistas da Europa, Ásia-Pacífico e Américas, e encontrou a mídia cautelosamente otimista em relação às suas publicações apesar da incerteza contínua na economia global: 54% dos entrevistados esperam que a audiência da publicação para a qual trabalham cresça este ano, contra apenas 20% que antecipam redução. 

No caso específico do Brasil, quase 52% dos entrevistados consideraram que haverá  aumento de audiência para suas publicações,  25% apostaram em aumento de receitas publicitárias e cerca de 35% indicaram aumento de equipe acima de 10% ainda em 2012. Apesar do otimismo do grupo de respondentes no país, ao redor de 40% consideraram que nada mudará neste ano nesses três quesitos.

O estudo global constata ainda que o uso de publicações de vídeo online quase dobrou desde o ano passado - 36% contra 20% de 2011. Além disso, 40% dos entrevistados disseram que suas publicações oferecem blogs assinados por seus jornalistas e 22% produzem infográficos em casa.
 

Dispositivos móveis e mídias sociais

A importância crescente de dispositivos móveis e de uso de mídia social para as estratégias de monetização dos editores se reflete no crescimento sustentado de aplicativos móveis e a contínua popularidade de posts personalizados do Twitter e páginas do Facebook. A proporção de jornalistas dizendo que seus títulos já tem apps vem em crescimento contínuo nos últimos três anos e, em 2012, uma publicação em cada quatro tem um aplicativo móvel. 
No Brasil, o uso do Twitter caiu de quase 70% em 2011 para 61% este ano. A tendência do aumento do uso de vídeos mantem-se também por aqui, onde, dos cerca de 20% de 2010 e 2011, este ano a média foi de 43,5% (41% de vídeos de fontes externas e 46% produzidos internamente). Dos cerca de 37% do total geral que adotam infográficos no Brasil, 22% produzem internamente e cerca de 15% usam fontes externas.

A adoção de aplicações móveis demonstrou crescimento sustentável. Globalmente, um a cada quatro jornalistas disse que sua publicação tinha app móvel. O Brasil ficou um pouco acima da média, chegando a mais de 29% de uso.
 

As fontes no âmbito da imprensa social 

A pesquisa concluiu que o uso de mídias sociais na obtenção de novas notícias é uma realidade da maioria dos entrevistados, mas somente quando a fonte é conhecida dos jornalistas. 53% dos respondentes consultam microblogs (como Twitter ou Facebook) de fontes que conhecem; quando a fonte não é familiar, esse número cai para a metade. 

O uso de blogs convencionais na obtenção de notícias é um pouco menor, mas segue uma tendência semelhante à dos microblogs: 44% dos entrevistados disseram ter usado os blogs que eles conhecem para busca de novas pautas e apenas 22% consultam blogs desconhecidos. Esta é uma reversão do quadro de 2011, quando 43% dos entrevistados disseram que consultariam blogs que eles não conheciam e 30% somente os familiares.

A dependência de especialistas do setor para novas histórias cresceu de 54% em 2011 para 64% este ano, e entrevistas com porta-vozes tornaram-se a primeira opção dos jornalistas na busca por notícias, substituindo os press releases, agora na quinta posição de preferência.

No Brasil, é gritante a diferença dada às informações de mídias sociais, blogs e microbogs já conhecidos do jornalista versus os desconhecidos: 52% contra 38% no caso das mídias sociais e 44% versus 9% no caso dos blogs e microblogs. 

No país, aumentou a preferência pela busca de entrevistas com porta-vozes corporativos (de 20% em 2011 para 34% em 2012) e também a consulta às agências de RP (cerca de 8% em 2011 e 18% em 2012). Acompanhando a tendência mundial, o press-release recebido na caixa de e-mails vem caindo na preferência e chegou a somente 6% este ano. 

Impresso versus online 

O estudo indica que é menor o crescimento da mídia online em detrimento do offline. Em 2012, 47% dos entrevistados disseram que a mídia impressa e o broadcast tinham maior audiência, contra 50% das respostas em 2011.  Por outro lado, a proporção de entrevistados que dizem que a cada ano menos de 20% de seu conteúdo online é novo manteve-se praticamente o mesmo - entre 20 e 25%. Como em 2011, os entrevistados ficaram igualmente divididos entre o conteúdo online e o offline.

No Brasil, embora 29% dos respondentes representassem veículos online (sem versão impressa), cerca de 24% indicaram que a quantidade de seu conteúdo online está acima de 60% do total publicado.

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